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Oh! c’est triste!

Amor, avisei-te que voltarias Não sei como dizer-te, novamente, somos demasiado iguais para esqueceres! O pulso latejante que procuras noutros olhos, soturnos e frágeis, meu amor não o encontrarás Sabias que a queda era grande caíste do abismo da prepotência, Por entre os suspiros do desalento  a cada grito mudo vejo-te mais longe  meu Delfim errante, deverias saber que tudo passa na fragilidade das horas mal dormidas, eras princípio e fim.   Le vent de l’autre nuit a jeté bas l’Amour ficou o sonho palpitante e ardente por entre as sombras do arvoredo aquele adeus que tarda  aquele beijo que não cessa no tempo aquele fugaz "e foram felizes para sempre"

Frøya

Sou deleito dos teus olhos, amor. meus cabelos de cobre estendidos por entre as dunas do feitiço deste céu, suavemente, pigmentado. As lágrimas que chorei noutras eras hoje reluzem como âmbar e ouro por entre as vestes, delicadamente, de outras quimeras meus peitos adormecidos dão conforto a outros pensamentos. Sou eu quem escolhe os valentes  quem ama os guerreiros o campo Fólkvangr não é  lugar para o teu amor fraco e inconstante  aqui ergue-se a vitória que sobrevoa  as colinas do entardecer como um falcão. Por isso, não me procures mais sou líder das Valquírias  apenas dos bravos me ocupo e a tua alma, sem mim,  andará perdida, sem rumo. Amor, debaixo desta constelação  deito-me e vislumbro esta corrente que me empurra  para sempre...

Anjo alado

  O orgulho de ser quem sou Emerge das catacumbas do Apocalipse  sou eu quem nada contra a corrente.   Da lama saem os sapos  mas não me alcançam  do alto do voo avisto aquilo que outrora significou  a minha coroa de louros  traz bom presságio  Afugenta o mau agoiro,  a lâmina da tua língua. Por mais que me tentes afastar do meu destino.   Agora corro, não caminho o tempo deixou de existir na velocidade de ir e chegar  todos querem estar a meu lado.   Mas, amor, não me confundas com um anjo alado... Sou eu quem conduz o carro perante a Vitória, quem destrói e reluz do alto, quem escreve a sua própria história.

Olhos ancestrais

Espontaneamente surgiste como o sol poente,  a onda que quebra contra o areal. Em teus olhos rasgados de castanho vejo sombras de outras eras  Tua pele desliza mansamente   por entre os lençóis banhados de conchas e corais. Beijarei cada suspiro teu A vida toda ela num espasmo de mãos  contra o peito e a boca em flor quebra-se  como um fruto maduro ao sol desfaz-se a espuma antiga e outro tumulto se aproxima, amor és tu. Oiço a melodia da tua voz  Num eco uivante inventas a palavra amor. Descerras em mim galáxias latejantes de pálpebras palpitantes e mãos que se cerram na força de apertar. O grito que circula o corpo perdido na vastidão de cada segundo junto a ti Quão frágil é, delicado como o beijar de olhos murmurantes  por entre as ondas de sal o meu cabelo de cobre ondulante envolve cada silêncio que morre contigo.   Eu sei quanto és e quanto significas que em ti habitam mundos de outros mundos  que tingem os teus olhos ancestrais d...

Ele (III)

A tua boca sobre mim murmura  o desejo mais leve e louco de ser eu novamente eu, inocente e pura. É a vida lenta que passa os anos que se acumulam e esta inocência servida em taça aos loucos que se amontoam. O equilíbrio das estações deu lugar a esta forma autodestrutiva de quem dá tudo e com nada fica. Seus olhos tão castanhos, tão doces   bem sei que não me ama, que apenas me deseja. Apenas isso ficou, amor.

Ele (II)

Será que é ele, amor? Será que é ele e não és tu? Porque é que não és tu? Esta é a tragédia da vida: querer sem ser querida? Então, não sei dizer se o coração é uma esperança criada no corpo a apodrecer. Ou serás o latejar final? Serás tu ou é ele? Não sei como dizer-te que te odeio em vida e morro por querer-te. Sinto que me faltas a cada segundo. E tu, que sentes? Espécie rara de vulto?

Ele (I)

Sinto o teu amor a diluir devagar, como fumo por entre as colinas deste novo amanhecer. Ele veio, sentou-se no teu trono, vestiu as tuas vestes e, insaciável, olhou-me como quem vislumbra a mais bela esfinge. Adorou-me como o sol. Novamente, o latejar da tragédia. Não ouso dizer o teu nome, com medo que me ouças e estremeças por entre as estrelas ocultas na penumbra.