Passado desmembrado
Tudo parece-me transcendental apática, perdida sem cor a vida, é esfinge cadavérica movendo esferas, numa valsa teatral Totalmente imóvel, como um pilar de sal minha boca permanece solidificada pela dor dum abandono. Pés caídos, desmembrados enquanto ecos de assombro povoam-me o espírito! Diz-me que abriras os olhos, diante de ti a miséria a fome de cada dia. Já não sinto os cortes nem as fracturas expostas a drenar o sangue do sangue dos olhos que olham nos teus sem nome. Nas cadeiras bandas, nas esquinas por entre o piso molhado. As gotas da fobia cerradas neste quarto onde tempo passa sem pressa de partir ao chegar sem vontade de esquecer o teu rosto aquilo que faz a lua sonhar.