Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2021

Ele (III)

A tua boca sobre mim murmura  o desejo mais leve e louco de ser eu novamente eu, inocente e pura. É a vida lenta que passa os anos que se acumulam e esta inocência servida em taça aos loucos que se amontoam. O equilíbrio das estações deu lugar a esta forma autodestrutiva de quem dá tudo e com nada fica. Seus olhos tão castanhos, tão doces   bem sei que não me ama, que apenas me deseja. Apenas isso ficou, amor.

Ele (II)

Será que é ele, amor? Será que é ele e não és tu? Porque é que não és tu? Esta é a tragédia da vida: querer sem ser querida? Então, não sei dizer se o coração é uma esperança criada no corpo a apodrecer. Ou serás o latejar final? Serás tu ou é ele? Não sei como dizer-te que te odeio em vida e morro por querer-te. Sinto que me faltas a cada segundo. E tu, que sentes? Espécie rara de vulto?

Ele (I)

Sinto o teu amor a diluir devagar, como fumo por entre as colinas deste novo amanhecer. Ele veio, sentou-se no teu trono, vestiu as tuas vestes e, insaciável, olhou-me como quem vislumbra a mais bela esfinge. Adorou-me como o sol. Novamente, o latejar da tragédia. Não ouso dizer o teu nome, com medo que me ouças e estremeças por entre as estrelas ocultas na penumbra.