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Até quando tu me quiseres

Quero que digas o meu nome, quando, à beira da cova, restar apenas uma gota de orvalho na tua boca em agonia. Quero que recordes os momentos imersos no silêncio demorado de cada abraço. Junto ao portão esperavas-me baloiçando os braços e as mãos na força de apertar. Eras tu. No campo da minha fantasia, eras dente-de-leão. Enquanto sopro as poeiras galácticas, as lágrimas ecoam: «Até quando tu me quiseres, amor.» Por entre as colinas do amanhecer, o odor dos nossos sonhos misturados, o amor feroz, o amor leve, o amor atroz que consumiu, involuntariamente, os dias dos dias que se transformaram em nada. Dizem que «o que não mata mói». Não quero mais fingir, quero fugir para longe daqui. Ver os ossos, os músculos os tendões, os órgãos submersos na emoção de sermos só um. Respirando ora alto, ora baixo na hora em que descansavas junto a mim.  Mãos dadas para o infinito. Eras tu. Olhos oceânicos, coração de lobo. Eras tu. Por entre os cabelos entrelaçados  o sal e as algas....

Tus sacáis

Em teu olhar reluzente de mar, de céu em chamas que tanto me fascina que tanto me ludibria que tanto me engana Perdi-me nas safiras do teu crânio de amado esposo que morreu por engano na margem do rio nunca antes atravessado vi-te estendido gélido e pálido de covardia, de egoísmo e orgulho. Perdi-me nos teus sacáis de anil no firmamento das promessas desfeitas na poeira das insignificâncias na pequenez das discórdias,  na ressonância da tua voz o eco fez-te Deus.  Mas a tua mirada não engana  a voz que suspira o amor que insistes em calar  reluz nos teus sacáis. 

Thanatos

Ela, é tão bonita que ameaça o teu orgulho de príncipe eleito  no deleito dos seus olhos mortos  em agonia, a boca aberta  carne seminua, inebriada por entre as ondas o encanto de cada trajeto a ecoar das conchas não sabes se é realmente tua quando te molha os lábios e delicadamente sussurra-te ao ouvido tudo o que precisas de ouvir. O rio das águas mornas transforma-se em incerteza em ilusão, de mãos entrelaças de almas despedaçadas junto ao chão. Na tua carne de sal desaguam sonhos no céu da boca afloram as entranhas sentes o palpitar na garganta é amor só poderia ser amor para doer assim. No confinamentos dos dias estão atados os seus cabelos  nos teus dedos, por entre a corrente dos gritos asfixiados de medo não sabes se é realmente tua o ciúme  como um neblina não te permite entender  o quão pura é esta mulher. Quando saíste pela porta  ela sentiu que não voltarias e aos ventos gritou: "Então que cavem duas sepulturas,  se eu morrer eu promet...

Sonho

Deitada, levanto-me Levantada, deito-me  Sonho acordada e desperta tudo parece desfeito dentro da angustia dos dias o tempo é a ausência da tua voz do teu riso, do teu cheiro, do teu sabor recordo-me vagamente  do rastro de sangue que deixaste  quando partiste e as escadas rolantes  tornaram-se infinitas Levanto-me, deitada Deito-me, levantada Acordada sonho adormecida penso em tudo  o que poderíamos ter sido mas não somos a delicadeza dos suspiros a gentileza de cada beijo o toque suave da ponta dos dedos o amor que parecia tão puro e único incendiariamente esfumou-se por entre as estrelas o pó da fantasia.  

Deusa feita mulher

Quão frágil é a paixão? Flor delicada e soturna Quanto mais se rega mais murcha. Esqueci o céu da boca onde brotava a água dos teus beijos e de longe perguntei: ainda estás comigo? Cada vez que os teus lábios se abrem inundam-se de vazios, de promessas feitas silêncio. Deixei os jardins  que brilham nos teus olhos de príncipe azul fulminante. Abandonei-me ao desespero. Assumiste o amor na abundância mas nunca na penúria,  na dor, na mágoa, na neblina... Desejas o amor levitante que caminha sobre as águas celestes do anoitecer. Mas nunca no espaço fulminante   que é a tragédia da vida. Na cidade as ruas ainda te esperam desérticas as mãos permanecem  naquele entardecer onde juraste  que seria para sempre.

Coração de vento

No silêncio das ondas que quebram no oceano o mundo inteiro em ruínas  em medo pronuncio o teu nome  será que me ouves em teus pensamentos? As mãos em chaga da força de apertar o vazio enquanto galgas os montes e as serras triunfante ao vento espalham-se as horas mal dormidas e as mensagens arrefecem com os astros. Muitas vezes senti raiva da noite esplendida e vasta ficarão para sempre abertas as autoestradas  dos braços ardentes, das luzes fulminantes  Em mim,  há sonhos cor de pérola manchas de fantasia que invadem a atmosfera por entre as vídeo chamadas ancestrais há beijos pintados a aquarela,  há seios, há costas e pernas que se abrem há suspiros, há dramas, há tragédias há amor, tanto amor de promessas  que em mim não cabem.

Amor triunfante

  Desfaço-me em embriaguez de vinho e rosas meu coração faminto pede mais dai-me o céu por inteiro a luz do amor verdadeiro dai-me a plenitude da entrega total Meu corpo arde no desalento enquanto os olhos palpitantes tremem de desespero não quero mais esta angústia da incerteza as horas e horas e horas e horas e horas de espera não quero mais! Por entre as ondas da loucura o mar ondulante  peço ao vento uivante que me traga o amor maior triunfante dum entardecer junto ao mar para que a minha face junto a tua face adormeça invadidos por cabelos de corais

Um segundo

Não te entregues tão facilmente a boca fica em chaga da força de beijar enquanto as folhas da melancolia caem ao acaso por entre o silêncio  da culpa de voltar a tentar. Não te percas na ilusão constrói o teu próprio lugar lá ninguém pode te defraudar  na distância amarga dos dias. Neles principiam a desilusão e o abismo o mundo perdido na espuma das memórias fantasias obscuras de outrora ou água que tudo lava, que tudo cura. À noite no íntimo de mim  sou livre neste espaço triste que é minh'alma a cada espasmo morro e levanto-me e por um segundo a tua voz perde-se nas nuvens que se movem para dentro do sonho.   

Coração de vidro

Como é fugaz a ideia  De ser aquela deusa imaculada e perfeita Por detrás do ecrã, em alta definição A paixão torna-se mais verdadeira Mas serei eu a eleita? Penso: não dês importância a opinião dos outros, arrepender-te-ás. Há mais deles nas suas opiniões do que há de ti. Escreve: palavras inúteis que reflectem estes sentimentos fúteis De quem quer significar, por entre golfadas de teimosia e inocência De quem quer vencer, mas que acaba por definhar.  E novamente cais desamparada, sem saber o quão fundo é o abismo Enquanto as palavras matam a perfeição  e quebram o teu coração de vidro.   

Maresia

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A cada hora oceânica sinto-me perdida na alma de outra alma agora adormecida. O amor com que sonho jaz tranquilamente por entre as ondas da maresia. A esperança evapora-se como álcool antisséptico e consome as horas. Enquanto a sombra da tua mão delineia o meu ombro, não se sente, mas escuta-se o som impaciente das horas infinitas passadas longe do sal dos teus olhos, que ecoam a única história possível: viver o amor. Se houver espaço de ser por entre a neblina e o ar abafado, estende-me as mãos. Rema com força, rema pesado, até à outra margem da cintura nua, onde guardo para ti a macieza da minha boca na tua.

Arco-íris

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Fecha os olhos em silêncio, agarra este punhado de emoções sussurrantes ao ouvido: o mar misturado com o céu. Não sei distinguir o real e o imaginário. Minh'alma sente-se imortal, aqui deitada junto a ti, por entre conchas e corais há um arco-íris infinito. Vou imprimir as fotos onde, juntos ao mar, me beijavas. As nuvens ao longe nos avistavam, despidos do mundo. Caiu uma estrela no teu ombro, suavemente: a felicidade em forma líquida.

Isolamento

No confinamento das horas,  Por entre as ondas da ilusão As cores surgem  Na brisa azul do teu olhar Cada palavra palpita - em silêncio - o beijo imaginado O abraço que tarda  Por entre as horas mal dormidas e as músicas partilhadas. As fotografias amontoam-se Encadeados os olhos brilham E o ecrã suaviza a solidão... Vejo-te junto ao mar Pergunto-me: - Como posso conciliar a distância com a paixão? Novamente abro as cortinas Parece real o mundo lá fora [o telemóvel vibra mas não é ele por isso não atendo afinal não vale a pena] Encostas a tua mão na minha e o sorriso veste-se de querer oiço o timbre da tua voz na boca a espuma oceânica Nenhuma palavra foi dita apenas o rumor da alma por entre os dedos as linhas do rosto enquanto o corpo repousa no entardecer.

Lies

I almost died in my dream you put a bullet it on me, I couldn't see, couldn't breathe I was falling in the sea so deep, drowning in my misery. This time, I must leave all the protection I need isn't here no more just a sweet memory floating in the air I need to save myself, to hold me down 'cause this time you broke my heart, There is no way out. My eyes are light brown when I look at you baby my lips what to kiss you kiss you a thousand times I feel like I'm loosing my mind. Without you everything is so empty, so vague but my soul belongs to me I told you this before I'm my own master I don't need you to control me, to hurt me to make me feel so small, so sad, so bad When I was with you Always, fighting for my life, babe couldn't see clearly But now I see You lie to, lie to me , to me I can't afford to crawl after you To cry myself to sleep no more I try my best with you, I did babe But I need to save me, to hold ...

Karma

I am a believer in karma  So take my name and my shame give me what I deserve  because I create my own destiny I deal with my own pain Don't need you to show me love, right now I take my blame and walk away Don't show fake love to me I am over all that fake love I still  can feel your breath  lying straight up to my face you try to take my soul away  but I am a flower, blossoming out of the hole you put me in I run as fast as I can listening to the the faint rhythm of my heart I still hear you voice telling me to f**** off guess a finally did Every now and then I feel your hands  strangle my neck softly  chaining me to the basement of my misery but I am a believer in karma Take my skin, my eyes, these lips listen to my tears falling on the grown  take my live, because the only darkness I allow in my heart is the night

A ilha

Só os instantes que vivi junto ao mar levo-os comigo o rumor da água no calhau o verde das algas vejo as ondas, vagarosamente a bater-me nos dedos dos pés a espuma, o sonoro desalinho das gaivotas por entre as nuvens que se avizinham. E vamos ora aos saltos ora em pé coxinho até ao abismo avistar o galgar do vento no vale de mansinho. Só estes instantes levo-os comigo os teus olhos de criança sorridente levo-os comigo o teu cabelo cheiroso e frisadinho e aquele abraço apertadinho só isso levo comigo. No instante das coisas mortas em silêncio pensarei no azul imenso refletido no teu olhar, meu amor pequenino, apenas isso conta e ao mundo a poeira dos caminhos...

Livre

Livre como um oceano de estrelas dispersas na densidade do olhar Livre como um folgo na agonia do grito que ninguém vê Livre de braços abertos como quem vai e vem fica, grita, morde e cai Livre em cada soluçar onde o ar ganha densidade e as nuvens cor Livre como quem beija o fluir da espuma e evapora-se num suspiro.