Até quando tu me quiseres
Quero que digas o meu nome, quando, à beira da cova, restar apenas uma gota de orvalho na tua boca em agonia. Quero que recordes os momentos imersos no silêncio demorado de cada abraço. Junto ao portão esperavas-me baloiçando os braços e as mãos na força de apertar. Eras tu. No campo da minha fantasia, eras dente-de-leão. Enquanto sopro as poeiras galácticas, as lágrimas ecoam: «Até quando tu me quiseres, amor.» Por entre as colinas do amanhecer, o odor dos nossos sonhos misturados, o amor feroz, o amor leve, o amor atroz que consumiu, involuntariamente, os dias dos dias que se transformaram em nada. Dizem que «o que não mata mói». Não quero mais fingir, quero fugir para longe daqui. Ver os ossos, os músculos os tendões, os órgãos submersos na emoção de sermos só um. Respirando ora alto, ora baixo na hora em que descansavas junto a mim. Mãos dadas para o infinito. Eras tu. Olhos oceânicos, coração de lobo. Eras tu. Por entre os cabelos entrelaçados o sal e as algas....