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A mostrar mensagens de fevereiro, 2009

Destino

O destino tem estranhas formas de se demonstrar estranhas formas de ser nunca pensei poder te encontrar neste espaço encantado onde a lua brilha do outro lado a noite caí apaixonei-me, pela cor dos teus olhos quando o sol, se põe, nas montanhas de Cuenca o vento ondulante entrelaçado nos meus cabelos nos teus braços a longitude do horizonte...

Desassossego

Se cada momento pudesse saber Quantas folhas tem as árvores e o que as faz crescer Perdida, nos ciprestes desta morada encantada Tua mão na minha. Juro-te Não queria mais nada Vejo tua foto nesta lápide O mármore fica pensando para comigo De que cor eram teus olhos quando Olhavam para mim As flores murcharam E nada mais há para recordar Só as palavras que ficaram gravadas Na ondulação dos ventos Em meus cabelos, Fevereiro Desassossego defunto Não sabes este egoísmo de querer Teu corpo vivo e triunfe Tua boca presa a cada instante Este egoísmo que arde em mim Possuir à luz o cadáver que habitavas Me fascina, me escapa Agora diz-me… Será que sentes, o perfume Que ofereceste continua dentro Do frasco…e aquele vestido verde Nada é. Se não um farrapo Quero te dizer, amor. Faz-se tarde As estátuas de anjos Transformam-se em mutantes Doem-me os joelhos, tenho de partir De encontro com a vida. Este punhal Não foi capaz de sangrar Julguei-me destemida Pôs...

Livre

Pareço tão livre, mas estou tão encadeada no teu abraço dentro do espaço do meu abraço no teu olhar penetrado a longuitude do meu querer Há silêncios que nos preenchem a alma que nos fazem ver uma mão de luz por entre as nuvens um sorriso que seduz, com loucura uma lágrima... O desejo que nos suga as veias. que faz uma lâmpada ser sol e um beijo infinito preso no teu peito, em teu carinho esta paixão que é uma ventania que fez naufragar a tua mão na minha sou livre sem o ser O intimo horroroso desolado medo de ser tua, de me enamorar pelo brilho da lua querer ser sugada em tuas garrar, apunhalada pelo golpe das tuas pernas. este querer louco, fernético, inracional verdadeiro mistério da existência... A dor de não poder resistir de o corpo pedir de alma querer os teus dedos entrelaçados nos meus cabelos Sonhar é saber que o desejo mora em pequenos gestos que só nós sabemos, só nós queremos Mas estás cada vez mais longe e distante E a cada instante necessito ...

Amizade

Nevava, na rua gelada o medo no teu sorriso amigo sereno que tudo transformava nevava, mas não muito apenas o suficiente para fazer sorrir esta triste gente que nunca viu coisa tão bonita na vida Na esquina da minha casa a tua mão na minha repousava a certeza do teu olhar brilhava na gentileza de cada palavra que transformava a neve em pequenos flocos de algodão Nevava, em meus olhos cor de mel a ponta dos dedos uma lágrima secava na ternura do timbre da tua voz que ecoava no vão da escada o silêncio de cada passada, a incerteza do destino a mágia desta cidade que nos envolve devagar na liquidez do rio, sem avistar o mar são colinas que se amontoam, casas em penhascos ruelas estreitas janelas abertas um velho casco areia nos jardins e uma fonte imaginaria que brota no interior de mim. quero te dizer com isto obrigada por seres meu amigo sem me pedires nada. obrigada por estares comigo quando a solidão chega aos ossos e faz-se tarde e nem os nossos compreend...

Juventude

Abro a janela ao mundo e a juventude não é mais que um temporal. As tempestades causam tantos danos, doem-me as mãos da força de as apertar queria poder ser eu, neste local estranho. A vontade de comer o mundo, turva-me a vista aqui e ali o meu ser ardente trespassado, morre ao acaso de uma leviana conquista. O outono do meu passamento leve e sereno fugiu-me por entre os dedos, como fumaça. Não tenho confiaça nos meus passos, nao sei quem me guia rompem-se os laços. Perdida  de vista, colinas de espaço em espaço prédios que trespassam a existência. Miro-me ao espelho, estranha convicta coluna massissa de enganos não tenho nunhum super poder, humana apenas pequei  por inocência. Diz-me de que vale ser quem sou e não saber sê-lo? Diz-me porque me destrói os desenganos de cada paixão? Se me perdi no calor dos teus braços, no desejo do teu coração Diz-me que há para mim neste mundo? Diz-me que há no fundo do poço? Vejo a cl...

Noites sem dormir

Eram colinas que se desfiguravam casas em ruínas onde o vento ressonava. Um prédio alto se erguia ao fundo uma cascata, teus olhos alucinantes sorriam depois não vi mais nada. Acordei, extasiada! O mundo preso na palma da mão, por entre os lençóis solidão que não tarda em se transformar nesta subtil traição. Vi o teu corpo cadavérico, olhos negros ombros tombados num suspiro, lábios gretados como trapos que esvoassam ao sabor de cada delírio. Em pensamentos quis chamar por ti. Não pode! Senti a alma a flutuar no peso de cada suspiro. Senti o ar que me escapava a cada golfada e depois o vazio. Tenebrosamente adormeci. Eram caixas deixadas ao acaso, garrafas vazias rascunhos de sentimentos. Um bafo a fumo por entre os teus cabelos noites sem dormir, sem sentir... Apenas um pesadelo

fados

Não me queiras amar, se eu não te pedir. Nem desejes aquilo que não te ofereço Não ponho a gargantilha. Não quero a tua afeição. Não mereço! Digo-te isto, porque sou livre, como uma alma que o corpo deslumbra adormecido não me queiras conhecer, este meu negro coração, independente! O amor não se escolhe, acontece! Não me peças para te acompanhar, pára! Nem sei onde vou... Mas teimo em voar, sou livre, Na saudade, não me importa o mundo lá fora. Livre na minha dor. Na minha cama, custa a crer que estou sozinha nos ambos lado a lado, corpos desencontrados não sei qual de nós é mais desgraçado... Não sei, não sabe ninguém este jeito, o jeito de amar tanto,  num desespero de  querer.. Já esqueci depois, e o meu fado é ser livre. Tenho a certeza que até na pobreza serei mais feliz do que contigo. Isto é sincero, não penses que te desgosto. Quem sabe se é para ti, isto que escrevo não queiras pensar isto ou aquilo, pois nada te digo, aquilo que sinto é comig...