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A mostrar mensagens de setembro, 2010

Fúnebre

Sem dirigir o olhar, caminhei ao lado daquele homem sinistramente belo. O seu tom de voz era forçado, impessoal, reprimido. Como se por detrás dos seus olhos azuis houvesse um mundo cadavérico e inabitável. Imperava o desejo humano e frágil de fugir. Seguir o meu caminho, sem olhar atrás. "Mas ele não me deixaria escapar"-pensei eu- O ar era denso, frio, fúnebre...os movíes estavam cobertos de pó e de acordes de valsas tão antigas como aquele piano negro. Havia uma luz ao fundo do corredor, penso que seria um candieiro de petróleo... Não me atrevia a especular sobre o terrivel segredo protegido por aquelas paredes espessas e cortinas voluptuosas.. Fechou a porta para não deixar entrar a luz das estrelas. Disse-me que tinha pavor a claridade. Que o silencio fala, o silencio cala. nas ruínas da imensidão... Súbitamente sussurou-me ao ouvido "quero o teu beijo lunar. o medo que fica preso entre os dedos." Os meus lábios estavam cristalizados ou seriam ...