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A mostrar mensagens de dezembro, 2008

A Noite Era Tanta

À noite. Tenho medo do tempo que parte ao chegar. Não consigo dormir. A morte é a mão que embala, deitada sobre a cama. A alma repousa, crua e nua. Não imaginas de que cor é a fantasia prolongada, o outro lado da lua onde mora a escuridão. Por entre as paredes que ressuscitam, o céu era triste. Os ramos mais altos não alcançavam a luz dos olhos que brilhavam. Lembraste? À  noite. O tempo morno junto ao mar do Norte, mãos dadas sobre o peito. Num leve e sombrio modo, os cabelos carmesim deixados ao abandono por entre os dedos. Segredos da tua pele branca na minha boca. A miséria obscura de quem não tem controlo sobre si. Lembraste? A noite era tanta. O vento forte, na fúria de ser livre. O sonho de te ter em mim como o rumor do lilás preso por entre os silêncios da madrugada.
A terra transpirante o musgo ofegante. tuas pernas descaídas por entre a erva daninha eras um animal insaciavel eras um ser uivante sempre a procura de mais Sugavas-me a alma até não restar nada por entre a selva dos sentimentos tremiam-me as mãos.na ânsia de as apertar Faltava o ar. não haviam montes apenas o eco surdo dos arvoredos por entre a tua carne branca adormecida no lençol do tempo No jardim proibido. cadáveres perdidos folhas deixadas ao abandono eramos prisioneiros dum momento. eterno no seu fim como é bonito o osso nu e cru aquilo que restou do teu sorriso. em mim

Palhaço assassino

O sol estava negro, expectante a lua não existia. morreu vestido de luto, triunfante o teu vulto carnavalesco apareceu... O gume da faca estava quente em tua mão elouquente. ardeu meus olhos em pasmo e espanto meus olhos vazios. amargo pranto a lua morreu... Teu cérebro moroso ou esfuziante não consegue chegar a clarividência não consegue perceber a enlouquencia de minha alma viva. fuzilante Como consegues erguer a tua coluna animalesca neste circulo de misérias que alimentas chamem os outros palhaços criaturas bizarras, teatrais para que vejam. tu, ser desgraçado a ser cruelmente esmagado por minha boca ensanguenta minh'alma sofrida. acabada minha mente crua e nua traça o teu destino, num leve adeus como ferida aberta, fulminante como uma criatura assassina dentes em lava, onde jorra sangue sedento de vida... Chamem os palhaços lamechas que preenchem o palco. rumitando barbaridas. piadas patéticas enfastiantes para que te vejam caido ...

Desilusão

A desilusão não tem cor. Não! Não tem sabor é uma neblina que trespassa feito lança e mata... aquela doce esperança por entre uma nevoa que nos cega que mancha o luar e rasteja vaporosamente. o medo de sentir o medo de perder aquilo que nunca fui e que um dia serei O medo... acaba com o calor da tua mão sem cessar a desilusao arde...no peito, queima-me a pele Neste instante que é a vida tudo se transforma, folhas de Outono á deriva no cemitério da minh'alma Tudo era para ser perfeito era... uma leve quimera meu amor...o que foi que aconteceu o mundo ja não é meu. não. ficou mudo,num leve adeus