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A mostrar mensagens de agosto, 2008

Recantos

Recantos de minha mente, repositórios de doses viciantes de lembranças fulminantes amarfanhado de corpos e suores... Vejo na sombra do vento os farrapos poeirentos da tua memória uma dor singular e ávida de ti escorre-me por entre mãos atadas... e a voz inaudível...do teu silêncio raspa com um canivete as tábuas do meu caixão... Neste convento de trevas apagam-se as velas que queimaram até ao fim. os olhos fecham-se em trêmula agonia por ente a obscuridade das seivas que se mesclam no puro prazer de violar. Tua pele branca. polpa de framboesa firmamento e lua. estranha beleza repleta de falsos pudores. cada sorriso preso no espartilho. o teu seio amoroso... Mas tudo isto é ilusório. pura fabricação aqui não existem fronteiras sou ser da noite, em desalinho e aflito feito apenas para sugar a medula ossea do teu olhar...
Meia-noite. a lua pujante me avista o relógio marca com hipocrisia meia-noite de qualquer dia sentada á beira desta estrada como um parasita contra a luz que me alumia contra o ser que me habita Beijo a Matéria triunfante por entre a bruxuleanta sentença de ser filha do Pecado mais repugnante duma Eva sedutora, provocante e dum Adão feito Besta Tenho na boca o trago a sangue da ferida que procuro e não acho meus olhos exaustos expectantes vislumbram a glória negra duma cidade desertica fluxo universal da cratéra Ergo-me do buraco de Dante caminho a pé. sem destino galgando ao sabor do vento como um demónio que caí repentino nas portas dum convento a minha alma morta na volúpia da noite ouve o jorro soluçante dum rasgo de luz que levemente escorre à beira dum percepício Meu corpo cinzelado no mámore ou no ébano segue a miragem. trilhos secretos acesa a chama protejo-a com a cova da mão acesa a chama da servidão Dai-me Senhor da escuridão o des...

Violeta de Parma

Sou um vegeto das ruínas o meu ser sente o mastigar de cada hora por entre o céu descoberto o anoitecer Vermes rastejam fogem de mim com asco bebo o absinto das lápides murmurantes dos ciprestes que tornam em silêncio o lirismo impuro os sentimentos tépidos de cada segundo... Sou filha dum tédio, duma dor qualquer por entre sonhos horrivelmente histéricos jardins fantasmagóricos e obsessões... Os resquícios de minh'alma evaporam como fumaça e nos meus lábios aflora a tísica roxa e inefável melancolia... Sou transparência de morte, magreza hirta. por entre a palidez clorótica, desta noite de afronta e solidão e nos conventos abandonados de minh'alma sou brilho cru, agudo e febril sugando os cansaços mornos de uma vida leve bater de asas de cotovia... Sobre o vazio, sobre o nada sou desdenhosa ilusão da eternidade minha boca acidentada por entre os dedos esticados e manchas de realidade. Sou corpo cadavérico deixado ao acaso Sou grava...
Esses olhos ofuscantes onde poisam borboletas lacrimosas superficies de estranha beleza . Longiquos silêncios se despredem no ardume da pele todo o tempo do mundo . aos olhos de quem ama parece tão breve, tão fugaz... para veres a paixão que em mim habita fecha os olhos murmurantes na obscuridade da cada momento fecha os olhos em segredo sente os dedos remexendo na terra da tua cova sente as tábuas do caixão ou as soturnas precês que se esvaem como fumuça da minha mão...

Quero-te

Nem te despediste de mim nem me disseste sim ou não mastigo cada silêncio da tua indeferença sinto o palpitar do coração atrás da porta, um murmurar persegues-me em câmara lenta em cada esquina o teu olhar e a tensão aumenta... neste espaço vazio e esfumaçado perdi-me nos trilhos da minha alma numa alucinação cega e descompassada segurei os teus dedos, feitos de nada fixei os teus olhos, pontos no escuro deixei-me sufocar pela ãnsia do meu querer lancei-me no obscuro... deixei-me morrer...

Anjo Negro

Quando me olhavas voraz havia um cemitério de crianças no teu olhar! Uma tristeza tão profunda brotava na foz d'alma vi, nos campos tétricos das tuas alucinações cada hora preenchida por lírios palpitantes aquarelas que davam-me a emoção do olhar e do sentir tinhas uma espécie de dever o dever de sonhar de sonhar sempre, tinhas esse dever de nunca acordar... Mas por detrás da máscara que usavas um rosto inerte ou expectante conspirava... manchas de sangue cobriam-te os pés por entre lembranças ocas momentos cristalizados no filamento das nossas bocas pensei que eras poema linha horizontal deslizando na curvatura dos lençóis amontoados cabelos tombados flutuante lua mas apenas povoaste as entranhas do meu imaginário sugando-me a carne numa procura hedonística de saciedade triunfo da tua vaidade
em busca dum beijo, tacteei aquele circulo de árvores o brando respirar da natureza desenhou-se um sorriso na curvatura do teu olhar um suspiro...cai por entre os ramos fio de luz... devagar ficou o abraço preso palavras esvoançando ficou o cheiro molhado das encostas o leve roçar dos teus dedos no interior dos meus ombros e no meio dum silêncio imenso ficou o esboço da minha sombra ternura secreta açucarada da tua boca
porque choram os meu olhos, diz-me amor, devagar... porque tenho medo de acordar porque vivo de ilusão porque me entrego à paixão porque vibro assim, com o luar! que levaram de mim com que palavras me enganaram que levaram de mim que armas usaram porque seca a minha boca, diz porque tenho pavor de sonhar porque vivo de emoção porque digo sempre não e vibro com as ondas do mar... que levaram de mim com que sorrisos me enganaram que levaram de mim que engenhos usaram?

Vontade de ti

Segurei os teus dedos e disse : "não sei porque me perco em cada montanha, o teu olhar" tenho vontade de ti do tom açucarado da tua pele dos meus cabelos carmesin caídos por terra tenho vontade de ti sentir a tua, a minha boca nuvens roçando o horizonte... tenho vontade de desvendar o que os teus olhos murmuram e escrevem escutar o que fica nos espaços das letras o silêncio... Tenho vontade de sentir a polpa da tua alma presa em mim vontade de rasgar o verde oceanico do teu sonhar tenho vontade de ti aninhado no meu peito mãos tombadas sobre o chão tenho vontade de ti de mim do que seremos... segurei os teus dedos num misto de alegria e tristeza segurei a medo planicies e planicies de incerteza povoavam a minha mente mentiras coloridas doces que me fazem ter vontade de ti...

Noites

insónias. noites de afronta e solidão insónias. pesadas como chumbo mãos mortas povoando o mundo e a lua! observa-me e a lua! esconde cemitérios de palavras proferidas pela polpa da tua boca não imaginas. o sol caí... fica o livro que nao leste o filme que não viste a foto onde não estiveste presente não imagina. a noite caí... a falta que me faz