o corpo deitado ao acaso debaixo da clarabóia do pensamento o céu cinzento imóvel congelava a boca do tempo monstros de cimento abatiam-se sobre mim como mãos que esmagam flores dentes em lava rasgando o algodão doce. a tua memória há questões que não valem a pena as horas debruçadas em respostas vagas que se amontoam em vãos de escadas não há voz, nem registo, no último som da melodia incerta dos prédios que caem sobre as nossas cabeças notasse como expressão. um grito que estrabaça das muralhas obscuras. solidão notasse a testa franzida os lábios gretados e poeirentos. trémulas mãos perdidas no esquecimento. ruelas duma sensação cada regresso tardio é uma fuga aguda embriagues nocturna, raio de chuva carne da minha timidez agora sangram os portoes de ferro que se abrem até ao céu paredes de cal e miséria deste quarto, doce quimera arrumo a bagagem. penso nos teus olhos nos meus sigo viagem...num último adeus...
Mensagens
A mostrar mensagens de outubro, 2008
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por
Bárbara Sousa
vegeto. nesta cadeira morbida preta nesta sala de enfermidade extrema vegeto. olhando paredes que caem sobre os dias que se abatem nas sombras perdidas que contemplo no castelo assombrado da minha fantasia sou restos daquilo que foi certo dia impaciente solta-se o vento na espessura sombria. os meus cabelos nas promessas presas. olhos de cristal esvoaçam a rir.a bruma do desalento mistura-se o sal. espuma dum momento enquanto relembro. a tua boca na minha num silencio obtuso. em labririntos de cor o tempo dos desejos cessou em teu olhar penetrante.de castigo o mundo finou. vegeto. neste espaço bolorento gemidos dum soalho antigo. livros empilhados na jaula.os sentimentos relembro num tic-tac infernal. lento...lento... o tempo ilusão dum destino o tempo um momento poeta cuja a alma pensa e sente lânguida e sem gula. a procura da vida sem pressa de a viver. perdidamente lancei minha alma num desatino cruzei braços. esperei. boca fixa no horizonte numa g...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por
Bárbara Sousa
Corro pelas ruas desta cidade meço degraus. trepo muralhas não encontro nada. a raíz do passo caminha na raíz da vida passo a passo,mil metros quadrados exposto ao desalento. mãos cravadas como farpas por entre fios de cabelos. o vento ouiço-te a dizer adeus essa palavra que fez da noite madrugada não sei de que cor é a tua boca lembro-me da língua subitamente solta pelas ruas. pelos becos. como uma onda rebentando de mistérios em teus olhos ficticios. animais. Vegeto pelos escrombos aqui não há viv'alma são becos decadentes. extermínio onde a carne fez-se verso um verso livre. sem palavras. nem sentido debaixos das pedras havia sorrisos havia esperança. em meus olhos de criança em teu rosto de anjo adormecido. já não há. E o silêncio é tudo o que resta para quem nada têm.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por
Bárbara Sousa
"quem dorme à noite comigo" é minha dor, o meu castigo! O medo perfura-me os instestinos mora comigo,mas só a ansiedade embala-me num balanço de tristeza. "quem dorme à noite comigo" na podridão dum silêncio que fala é minha expectante alma. Num tic-tac infernal, num desatino o tempo da vida preso na minha mão o tempo da carne, um destino. " Quem dorme à noite comigo" o meu amaldiçoado segredo. Junto do caixão emudece-me o peito. A solidão grita tentando salvar-me dos vermes que brotam do chão dos lírios que crescem na margem dum sono ligeiro junto ao coração. " Quem dorme à noite comigo" é minha tristeza, meu desalinho. Busco o folgo primeiro que jorra no rio da tentação querendo salvar-me desta morte anunciada deste meu corpo, valendo nada deste meu eu preso em mim " Quem dorme à noite comigo" é meu desassossego, meu desalinho. Hoje digo, quem dorme a noite co...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por
Bárbara Sousa
Um amor impossível, é sempre um amor impossível, por mais formas que assuma, a verdade será sempre só uma.... Os cavalos não olham para o céu, nem sentem as nuvens, nem sabem o sabor do ar. As gaivotas nunca deixaram de voar. Cada ser é constituído por si próprio, pela sua natureza. Devia saber que esta vontade de ser tua, seria condenada pelo brilho da lua, seria apagada pela a certeza indubitável, dum amor impossível. Tu és um cavalo bravo, um ser alado, que galga os montes num desatino. Eu sou leve gaivota planando a encosta acidentada por entre o ar azul tenebroso, tentando talvez sobreviver ao tempo chuvoso, aos relâmpagos de Zeus. Tu não podes ganhar asas e tentar voar mais alto, como eu, meu amor. Nem eu posso, caminhar sem ter horizonte, por penhascos negros e agrestes planícies .. somos de diferentes matrizes. Somos habitantes da mesma esfera. Somos infelizes. Meu cavalo negro,semeador de morte. Não sei qual o teu nome, nem preciso de te cha...
Jogo
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por
Bárbara Sousa
Meu choro de gaivota perdida bate no vidro da janela esvai-se por entre as esquinas desta cidade perde-se nas ruelas como o fumo dum cigarro esquecido. Minha boca seca, dá de beber a dor o mundo num segundo... A chuva morre na curvatura dos meus ombros alongando a dor, sob fogo cruzando, lua morta ou sol distante vejo-te, sem luz para olhar abrem-se lembranças, cortinas dum destino enchem-se de ar, num desatino as flores murcharam de repente em meu olhar... enlouquente rios sem fonte, brilham p'ra ti E por penhascos negros desejos vãos, duma boca de mel e cetim caminham secretos até mim. Acontece, que neste jogo de sorte e azar o tempo não volta atrás o brilho amaldiçoado da lua levou-te... cavalo de sombra galgando planicies perdidas em noites de versos e sons duma grande sinfonia. Pelo horizonte de boca liberta galgaste por entre a areia descoberta de minh'alma exilada, neste convento de solidão de minh'alma presa, a uma escrava desi...
Negra
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por
Bárbara Sousa
Eras negra cativa espaço de deleito e pecado tua pele santa e tentadora, de mulher. teu corpo estilhaçado num colchão de palha tombado pronto a satisfazer. Tinhas os olhos cerrados esses diamantes raros, nunca mais avistaram a luz. Tinhas a alma cadavérica, gritando por piedade enquanto o pensamento voava tal e qual uma borboleta junto ao rio pousava na tua mão de mãe, de irmã, de filha, de neta de alguém, na tua mão de criança. Escorriam-te dos olhos as gotas da fobia suores frios e trémulos, apoderaram-se de ti tinhas um crucifixo pendente do peito a boca manchada de sal e fel enquanto gotas de sangue caiam das tuas mãos apertadas da tua boca cerrada do teu útero de mulher Vieram do nada, de terras malditas aqueles seres uivantes, sedentes de desejo aqueles seres rastejantes, arfando imundície. esfregando a pele sebosa e dita cristã roçando testículos cheiro a escremento ejaculando vermes de desalento em teu corpo pequenin...