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A mostrar mensagens de dezembro, 2007

Neura

Nesta neura, em que me encontro, as mãos tremem os sentidos ficam cobertos por uma espécie de neblina e parece que desmaio parece que vomito parece que me esvaio mas tudo nao passa dum delírio estou fernética o pulso latejante a cara toda ela coberta pelas gotas da fóbia tenho medo tudo parece visível e ao mesmo tempo tão impalpável grito...e o meu grito é apenas um eco pedra caindo no fundo do poço gritas...agitas o meu corpo franzino agitas...dizes para desaparecer gritas, agitas... entao surge, algo inesperado adormecido o animal primitivo com os dentes em lava, num desatino cravo as minhas unhas na tua pele puxo te pelo braço... faltam-me as pernas quis falar e nao tive voz... deixas-me só, ao abandono depois de me ter sugado a carne mal sinto o meu corpo chorando compulsivamente cada arfada de ar parece a derradeira cada lágrima parece a primeira... planicies e planicies de silêncio se abatem sobre mim ...

Ilusões

Pendem secretas mensagens e cidades azuis de vida de teus ombros miragens por uma palpitação perdida Em teus olhos resignados a luz das estrelas cadentes onde navegam os pecados mais empalidecidos e doentes Tombadas mãos junto ao peito deixadas ao acaso da lembrança refugiadas no doce jeito da eternidade vã da esperança

Depois

I E depois do abraço um jardim de buzios e corais, davam á costa... Na areia movediça da descoberta o pestanejar dos pensamentos, fluiam no canto da tua boca... II Os lábios tentam decifrar o aroma do sol ou talvez o calor do mel... por debaixo da fluidez dum lençol a textura da tua pele e depois do abraço e depois de nós o silêncio insurtecedor em teus olhos de planície lastimosas apenas promessas de amor... III Nas arcadas dos meus lábios, intemporais pequenas gotas, amargos tragos onde os teus beijos não são reais... IV Hoje acordei com o teu beijo debruçado sobre o horizonte manchas de tristeza e ruína lembranças apagadas... promessas duma vida e junto a vidraça um punhado de camelias, meladas ao sol, murchas, gastas, moles doçuras em minhas mãos ancoradas...