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A mostrar mensagens de novembro, 2007

Engano

Este prazer de me enganar de me iludir de olhar para o mundo a sorrir faria dó a toda a gente eu sei que quero mais muito mais, longinquamente... para além destas cortinas pretas de cetim que escondem os vidros estilhaçados que guardo dentro de mim

Eu sou...

teimosa, convicta coluna macissa de altivez nao abro mão de nada nao consigo ficar calada nem sei dizer adeus perpicaz, persistente desejo louco e enlouquente de vencer o jogo da vida as cartas que domino apenas as lanço duma vez...

Beijo

beijo-te... no início do nada como se depois do abraço o céu fosse mar e o mar fosse céu e após o vínculo das nossas bocas os sentimentos não passassem de fúrias volteando loucas na foz d' alma...

Aqui!

Aqui me tens, meu bem, sou tua segura nesta ambição de esperança deslumbrada com a palidez da lua fluido no crivo da lembrança. Aqui me tens, à noite, desviando o lençol, que é ancora de tempestade desejosa de estribar o sol, perdido algures nesta cidade. Aqui me tens, meramente, a recordar, aquele azul bravio, sem dono a tua mão curvada, sobre o meu sonhar hoje apenas folhas deixadas ao abandono... Aqui me tens, caída, neste chão, por onde passa tanta gente e ante o silêncio da solidão, meditando-ó como te amei-inutilmente.

Primavera

Nesta noite de primavera a lua escorre como prata líquida sobre nossos voltos calados naquele instante que os unia.

Eternidade

Tudo pode ser traido tudo pode ser abandonado menos as verdadeiras memórias porque há coisas, locais, histórias que não fogem, que não voam que não se esbatem na imensidão dos pensamentos...

Bárbara

Bárbara a dos olhos de vidente bárbara de Camões coroada de desdém cativa de coraçoes prisioneira do além bárbara só uma... aquela que me aprisiona com correntes de loucura... bárbara, teu nome é ternura ancorada numa tempestade doce delírio, alucinaçao semeada em cada rua neste circulo de lua sombra fatal e apetecida brilho que seduz bárbara de luz... não há dúvida que de ti não fujo que te procuro... por entre os lençois e as histórias doces vis memórias esquinas de frutos e azuis... Bárbara imaginação de corais e dunas sal de emoção sem língua, cor ou nação... bárbara só uma selvagem nao é de ninguém e é de toda a gente bárbara, raiz de vida bem conhecida que me absorve, timidamente bárbara arfada de quem quer entranhas de mulher de essência tão leve, tão solta bárbara a prisioneira o gume, o lume, a lâmina, o segredo que nos agrilhoa ó bárbara teu nome é perda e ganho é mistério soterrado num íntimo desejo suspirado bárbara a dos olhos vora...

Descoberta

Conheci-te um dia destes perto daquela misteriosa esquina entre o inferno e o céu algo me veio à memória qualquer fragmento gostativo apaladou aquele momento seria talvez o vento a deslizar a rua...

Palavras

As palavras não gravam e não apagam as memórias são apenas testemunhas da consciência fragmentos duma história a procura da perfeição!

Mar

Quero ver os dias a passar sentir na curva do olhar a profundidade do oceano acordar com a boca rumorosa num desejo de conchas e corais. Quero sentir a brisa e a areia no pulsar da veia quero ver a vida a acontecer o corpo flutuando sem destino manchas de cor que correm para o infinito onde o sol morre e é maior o amor.

Livre

Acordei. Sou manhã de abril. Estendi os braços ao vento, senti cada pulsar do pensamento livre tão livre, finalmente...

Lobo

Doi-me esta claridade, que corre lenta pelo corpo. Doi-me saber a verdade, tenho em mim um lobo que chora ao luar, o rumor do tempo frio!