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A mostrar mensagens de agosto, 2026

O Sal de Agosto

Por entre vinhos escarlates, o teu sorriso num entardecer. Ao fundo, no Largo do Chafariz, o deslumbre do pratum que ecoa.   Desço a Bacia do Prata suavemente, como quem desliza por entre os jacarandás. Avisto o teu vulto.   A aragem trava-me os movimentos. Paro. Olho a janela infinitamente. É aqui que beijas os lábios de cereja?   Sem me dar conta, vejo que estás enamorado de outra.   Não tenho a ousadia de subir a escadaria. Como poderia atormentar-me com um destino terrível? Querer quem não ousou partir.   A minha voz é purificada pela luz da tarde que refrescou. E nada me resta, anjo meu, senão este mês de agosto, onde jaz o sal na ondulação do mar.  

O azul inteiro

Nem mesmo já velho deves ancorar-te na ilha. Não aprisiones o teu caminho  entre as ruínas e o desalinho.  Apenas existe a viagem.  Há dias de verão em dois mil e vinte e seis em que o cabelo solto, húmido,  sujo de areia, se confunde com a paisagem verdejante e rumorosa.  Quando se despia, exposta ao vento, amortecia-te a alma num sorriso. Musa que os teus olhos fintam, nácar e coral à flor da pele. Já não terás de pedir a aprovação  da tua vida amontoada em papéis. O divino de existir nas marés quentes onde juntos se banhavam num mundo cujo tempo não existia.  Para a areia se jogou a Musa feita de nuvens. As palavras derramavam, com as pálpebras cerradas, por entre a férvida alegria de seres o azul inteiro da paisagem.