O Sal de Agosto
Por entre vinhos escarlates, o teu sorriso num entardecer. Ao fundo, no Largo do Chafariz, o deslumbre do pratum que ecoa. Desço a Bacia do Prata suavemente, como quem desliza por entre os jacarandás. Avisto o teu vulto. A aragem trava-me os movimentos. Paro. Olho a janela infinitamente. É aqui que beijas os lábios de cereja? Sem me dar conta, vejo que estás enamorado de outra. Não tenho a ousadia de subir a escadaria. Como poderia atormentar-me com um destino terrível? Querer quem não ousou partir. A minha voz é purificada pela luz da tarde que refrescou. E nada me resta, anjo meu, senão este mês de agosto, onde jaz o sal na ondulação do mar.