O azul inteiro
Nem mesmo já velho deves ancorar-te na ilha. Não aprisiones o teu caminho entre as ruínas e o desalinho. Apenas existe a viagem. Há dias de verão em dois mil e vinte e seis em que o cabelo solto, húmido, sujo de areia, se confunde com a paisagem verdejante e rumorosa. Quando se despia, exposta ao vento, amortecia-te a alma num sorriso. Musa que os teus olhos fintam, nácar e coral à flor da pele. Já não terás de pedir a aprovação da tua vida amontoada em papéis. O divino de existir nas marés quentes onde juntos se banhavam num mundo cujo tempo não existia. Para a areia se jogou a Musa feita de nuvens. As palavras derramavam, com as pálpebras cerradas, por entre a férvida alegria de seres o azul inteiro da paisagem.