Jogo


Meu choro de gaivota perdida
bate no vidro da janela
esvai-se por entre
as esquinas desta cidade
perde-se nas ruelas
como o fumo dum cigarro esquecido.

Minha boca seca, dá de beber a dor
o mundo num segundo...

A chuva morre
na curvatura dos meus ombros
alongando a dor,
sob fogo cruzando, lua morta
ou sol distante
vejo-te, sem luz para olhar
abrem-se lembranças, cortinas dum destino
enchem-se de ar, num desatino
as flores murcharam de repente
em meu olhar... enlouquente
rios sem fonte, brilham p'ra ti
E por penhascos negros
desejos vãos, duma boca de mel e cetim
caminham secretos até mim.

Acontece, que neste jogo de sorte e azar
o tempo não volta atrás
o brilho amaldiçoado da lua
levou-te... cavalo de sombra
galgando planicies perdidas
em noites de versos e sons
duma grande sinfonia.

Pelo horizonte de boca liberta
galgaste por entre a areia descoberta
de minh'alma exilada, neste convento de solidão
de minh'alma presa, a uma escrava desilusão
e nunca mais sobe de ti...

Comentários

  1. ...por penhascos negros/ desejos vãos, duma boca de mel e cetim/ galopo secreto até ti...
    Mais um poema magnetizante. Lindo!
    Um abraço
    António

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  2. Mais uma vez, agarras os sentidos com as tuas palavras!

    ResponderEliminar

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