Mensagens

Passado desmembrado

Tudo parece-me transcendental apática, perdida sem cor a vida, é esfinge cadavérica movendo esferas, numa valsa teatral Totalmente imóvel, como um pilar de sal minha boca permanece solidificada pela dor dum abandono. Pés caídos, desmembrados enquanto ecos de assombro povoam-me o espírito! Diz-me que abriras os olhos, diante de ti a miséria a fome de cada dia. Já não sinto os cortes nem as fracturas expostas a drenar o sangue do sangue dos olhos que olham nos teus sem nome. Nas cadeiras bandas, nas esquinas por entre o piso molhado. As gotas da fobia cerradas neste quarto onde tempo passa sem pressa de partir ao chegar sem vontade de esquecer o teu rosto aquilo que faz a lua sonhar.

Lince

Teus olhos de lince  cámelias meladas ao sol querem me devorar em meiguice por debaixo das vertebras dum lençol Na polpa encarnada da tua boca aflora um mundo instintivo e animal e na curvatura do teu sorriso a luxuria canibal. dentes em lava, num desatino beijo num folgo brutal sem pressa de partir ao chegar Sinto o gelo quente do teu olhar perdido em planicies e planicies de silêncio sinto o calor da febre a bafegar na longitude do teu pescoço como um cálice envenenado que me consume até ao osso E nos batuques do meu peito teus olhos aguçados e felinos presos em cada gesto. cada expressão na fluidez da minha mão. incerta dum destino. É hoje, talvez, o último dia que vejo o luar preso na raiz dos pensamentos cabelos grisalhos que traçam linhas de linhas água e sal, pescador de momentos Vejo na suavidade da tua pele brotar a cor exacta do teu nome, do teu jeito de andar só pelos caminhos mastigando emoções. fumado ilusões rasgando sorrisos...
No algodão doce daquela tarde a tua mão derretia açúcar cristalizado. tua boca na minha Havia nuvens que flutuavam em teus ombros horizontes tal e qual um pássaro planavam em meus olhos carnais senti a loucura, a despir o teu corpo a tomar a forma dum bafo quente dum cigarro aceso senti a loucura a engolir o pensamento Como dizer o silêncio do teu peito contra o meu os gestos que brotavam da foz da alma alma que não cabia em mim e que em ti não restava O vulto do teu rosto diluía-se nas gotas de chuva que escorriam do para brisas do carro que corria sem pressa de chegar Não havia luar, apenas nós e os lampiões que não podiam esconder o desejo de te ter. Nas paredes do vento ficou aquele momento. sobre grande neblina nem tudo o que veio chegou por acaso na penumbra dos cabelo enrolados mãos tombadas sobre o céu lábios que suspiram um adeus...
o corpo deitado ao acaso debaixo da clarabóia do pensamento o céu cinzento imóvel congelava a boca do tempo monstros de cimento abatiam-se sobre mim como mãos que esmagam flores dentes em lava rasgando o algodão doce. a tua memória há questões que não valem a pena as horas debruçadas em respostas vagas que se amontoam em vãos de escadas não há voz, nem registo, no último som da melodia incerta dos prédios que caem sobre as nossas cabeças notasse como expressão. um grito que estrabaça das muralhas obscuras. solidão notasse a testa franzida os lábios gretados e poeirentos. trémulas mãos perdidas no esquecimento. ruelas duma sensação cada regresso tardio é uma fuga aguda embriagues nocturna, raio de chuva carne da minha timidez agora sangram os portoes de ferro que se abrem até ao céu paredes de cal e miséria deste quarto, doce quimera arrumo a bagagem. penso nos teus olhos nos meus sigo viagem...num último adeus...
vegeto. nesta cadeira morbida preta nesta sala de enfermidade extrema vegeto. olhando paredes que caem sobre os dias que se abatem nas sombras perdidas que contemplo no castelo assombrado da minha fantasia sou restos daquilo que foi certo dia impaciente solta-se o vento na espessura sombria. os meus cabelos nas promessas presas. olhos de cristal esvoaçam a rir.a bruma do desalento mistura-se o sal. espuma dum momento enquanto relembro. a tua boca na minha num silencio obtuso. em labririntos de cor o tempo dos desejos cessou em teu olhar penetrante.de castigo o mundo finou. vegeto. neste espaço bolorento gemidos dum soalho antigo. livros empilhados na jaula.os sentimentos relembro num tic-tac infernal. lento...lento... o tempo ilusão dum destino o tempo um momento poeta cuja a alma pensa e sente lânguida e sem gula. a procura da vida sem pressa de a viver. perdidamente lancei minha alma num desatino cruzei braços. esperei. boca fixa no horizonte numa g...
Corro pelas ruas desta cidade meço degraus. trepo muralhas não encontro nada. a raíz do passo caminha na raíz da vida passo a passo,mil metros quadrados exposto ao desalento. mãos cravadas como farpas por entre fios de cabelos. o vento ouiço-te a dizer adeus essa palavra que fez da noite madrugada não sei de que cor é a tua boca lembro-me da língua subitamente solta pelas ruas. pelos becos. como uma onda rebentando de mistérios em teus olhos ficticios. animais. Vegeto pelos escrombos aqui não há viv'alma são becos decadentes. extermínio onde a carne fez-se verso um verso livre. sem palavras. nem sentido debaixos das pedras havia sorrisos havia esperança. em meus olhos de criança em teu rosto de anjo adormecido. já não há. E o silêncio é tudo o que resta para quem nada têm.
"quem dorme à noite comigo" é minha dor, o meu castigo! O medo perfura-me os instestinos mora comigo,mas só a ansiedade embala-me num balanço de tristeza. "quem dorme à noite comigo" na podridão dum silêncio que fala é minha expectante alma. Num tic-tac infernal, num desatino o tempo da vida preso na minha mão o tempo da carne, um destino. " Quem dorme à noite comigo" o meu amaldiçoado segredo. Junto do caixão emudece-me o peito. A solidão grita tentando salvar-me dos vermes que brotam do chão dos lírios que crescem na margem dum sono ligeiro junto ao coração. " Quem dorme à noite comigo" é minha tristeza, meu desalinho. Busco o folgo primeiro que jorra no rio da tentação querendo salvar-me desta morte anunciada deste meu corpo, valendo nada deste meu eu preso em mim " Quem dorme à noite comigo" é meu desassossego, meu desalinho. Hoje digo, quem dorme a noite co...