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Liquidez

Vento, não me diz nada De costas para o sol Nossas sombras misturadas É surpreendente A maneira como abraças Com medo que as palavras manchem O significado de cada suspiro Na liquides das horas Um imenso vazio Sinto a polpa da boca A fluidez do olhar Ancoradas as tuas mãos No meu corpo, devagar…

Sonho

Queres me perceber? Por favor, não me faças rir Sou o vento Que por ti passa a fugir Sou a polpa da maça O desejo latente de possuir Uma leviana paixão O mundo, nada é Aos pés do mistério Encarnado em mim Queres-me? Só para ti A ganância turva-te a vista A quem diga que não exista Mas tu sabes o que respiras O perfume da minha fantasia Queres me perceber? Por favor, não o faças Sou natural de mais Simples de mais E é na simplicidade Que se encontra o complicado Ciclicamente Todo o que souberes Retomará novo significado…

"O Humano demasiadamente Humano"

sou um viajante ponto de chegada sou um viajante errante, sem estrada nao me prendo a coisa alguma nao há tempo a vida, toda ela, um momento desce a noite sobre o deserto até a aurora tudo me parece uma leve demora na descontinuidade sou um viajante onde os montes lançam-se a meu encontro onde as coisas que eram minhas simplismente nao são pois eu sou um viajante noutras frentes vejo a calma duma colheita espíritos livres veem a meu encontro tudo desaparece e o caminho esbate nascida a luz sou um viajante da "filosofia do meio dia" feita ela de brisa fluidez que me seduz
Uma onda! Aqui e ali... A minha mão sobreposta Na tua mão Asa de gaivota As nuvens roçavam o rosto Leviana paixão Minha perna descoberta A boca semi-aberta Sabes? A relva dá-me comichão... Uma onda! Aqui e ali... Uma gaivota Na minha mão Encostada no teu peito A planar fluidez da íris do teu olhar...

És mentira

No dramatismo encenado de cada gesto. No desfecho coreografado de cada momento. Na esfera ilusória do tempo vejo-te, absolutamente fulminante. Serás tu, talvez, aquilo que o olho percebe apenas a aparência que não transcreve o verdadeiro significado do ser Nem o gestualismo da teu vulto a tinta que escorre na enlouquecia do tumulto subordina o inconsciente. Serás tu, talvez, hipocrisia criadora de delírios fingidora de emoção mentiras que não valem a pena existir, e as quais tu chamas de paixão...

Se

Se eu esperasse na espera do desespero e quisesse como quem quer o último momento se eu fosse o folgo brando da vitória e compreendesse o verdadeiro significado do enlace dos teus olhos nos meus.

A ti voltarei

A ti voltarei, sim eu bem sei, que tentar esquecer é asneira que nada se compara a uma vida inteira que é impossível dizer adeus!