Olhos de Cristal

Saúdo-te, olhos de cristal.
Há trezentos anos eras o último rei, e ainda assim, estiveste dezanove à minha espera...
Sou o pulso que desperta, o eco que anuncia liberdade
Vejo-te nos sonhos.
Presente em cada gesto,
envolto em mistério.
Teu trono de sombras e ouro
murmura segredos antigos. 
E as paredes do tempo reverberam o silêncio! 
Entre o passado que se despede e o agora que me habita, dançamos na penumbra dos séculos,
onde cada suspiro é lembrança e cada silêncio, promessa...
Que a memória não se dissolva, que a promessa não se perca...
Sou o fogo que mantém acesa a chama da tua casa.
E tu, olhos de cristal, és a leve esperança que ainda me habita.
Existe emoção para além da pulsação da poeira da vida.


Comentários

  1. lUma ligação mística e atemporal entre dois seres, onde o passado e o presente se entrelaçam em gestos, sonhos e promessas. A presença do outro é sentida como uma chama viva, símbolo de esperança e emoção que transcende o tempo e a poeira da existência. Muito belo.

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  2. Evocação da espera, da memória e da esperança de liberdade, onde o passado e o presente se entrelaçam numa dança atemporal. A figura dos "olhos de cristal" simboliza, na minha leitura, a intensidade do olhar que persiste na saudade e na promessa de emoção além da mera existência.

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